Podemos considerar como fantasmas todas aquelas situações ou pessoas que já passaram ou aconteceram em nossas vidas que de alguma forma continuam a influenciar nosso presente e nossas atitudes atuais.
Esses “fantasmas” nos assombram ao influenciar nossas decisões, as quais passamos a tomar com base em medos decorrentes de situações passadas. Nos relacionamos tendo como base o relacionamento anterior. Não nos arriscamos tendo em vista o fracasso passado. Todas estas coisas bloqueiam nosso potencial de ação e nos torna reféns de nós mesmos. É uma armadilha mental que prende muitos de nós. E suas correntes são bem sutis…
Em Gestalt Terapia chamamos estes “fantasmas” de situações inacabadas. Estas situações são questões do passado que não conseguimos resolver de forma satisfatória e que por isso ainda demandam nossa energia no presente, de modo a tentar se atualizar em nossa psiquê. Elas sempre retornam de uma forma ou de outra, muitas das vezes sob aspectos diferentes. Os medos se convertem em precauções excessivas. Os problemas do passado aparecem sob forma de “karma”. Parece que toda pessoa que aparece em nossa vida carrega o mesmo tipo de problema (ou nos causa o mesmo tipo de problema).
Por que será, né?
Prestar atenção nestas situações inacabadas ou em nossos “fantasmas” é importante para darmos espaço para resolver aquele conflito que colocamos debaixo do tapete mas que ainda nos consome. Aquele briga com o pai por determinado motivo que não foi resolvida e se “repete” com todas as pessoas que exibem o mesmo comportamento. É aquele amor do passado que você não aceita a ida e que cisma em “reaparecer” encarnado em seus novos amores.
Esses fantasmas são bem chatos e inconvenientes. Além de consumirem nossa energia, eles nos bloqueiam e tendem a nos fixar em situações antigas e nos impedem de vivenciar o novo, o aqui e agora.
Além disso, vivenciar cada dia de uma vez, em seu presente, buscando resolver os conflitos assim que ocorrem (ou não tardar tardando de resolvê-los) ajuda a não reduzirmos situações inacabadas em nossa psiquê.
Mas o que fazer quanto a isso? Vamos a algumas dicas:
Identificar o padrão recorrente de situações.
Se torna relativamente fácil identificar um fantasma pois tal como a mitologia, ele sempre aparece para nos assombrar. Ou seja, uma hora ou outra, ele reaparecerá e nos demandará a resolução (que não temos) de um problema bem semelhante do passado.
Resolver imediatamente o que for possível.
Nem sempre podemos resolver ou lidar com estes fantasmas. Contudo muitas das vezes eles reaparecem porque não damos a devida importância na resolução do problema que ele trouxe. É aí que mora o problema. Sempre que for possível, resolva o que ficou em aberto. Se tiver que pedir perdão, peça. Se tiver que conversar com alguém, converse. Se precisa dizer que algo lhe incomodou, diga. Não deixe para depois. Até porque esta mesma questão pode te incomodar por um bom tempo, até você a resolver.
Compreender que o passado já se foi.
O futuro ainda virá. E o passado já se foi. A única certeza que temos é o presente. E somente atuamos e podemos fazer algo no hoje, no aqui e agora. Sendo assim, não adianta ficarmos presos a fatos do passado. Devemos entender que o que acabou, acabou, e pode não voltar mais.
Psicoterapia
Muitas das vezes não conseguimos, por conta própria, lidar com a carga emocional que as situações inacabadas podem carregar. Em alguns casos as repetições se referem a grandes feridas do passado as quais demandam um auxílio e acompanhamento profissional para serem acessadas e trabalhadas. Neste caso, um psicólogo pode lhe ajudar a entrar em contato com tais situações, trabalhando para que seja dado um novo sentido a elas no aqui e agora. Desta forma, a energia que estava sendo usada para movimentar tal situação, estará disponível para outras coisas.
É isso gente. ..espero ter ajudado.
Até a próxima.
Bruno Rodrigues
Psicólogo, Terapeuta de Casais e Orientador de Carreira
CRP 05/47828
