O que uma criança pode nos ensinar?

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“O que é um adulto? Uma criança de idade.”
(Simone de Beauvoir)

 

Já percebeu como as crianças são (a grande maioria, pelo menos)? São leves,  brincalhonas, divertidas, dificilmente se estressa, curiosas. Levam a vida de uma forma mais inventiva, sem ficar preso a determinismos, se encantando com coisas mínimas, mas desejando coisas grandiosas.

Encantador, não?

E, há quanto tempo você não se vê assim?

Pois é. Conforme vamos crescendo, aprendemos a ser sérios, responsáveis. Não podemos perder tempo com brincadeiras, com coisas menores, apreciando paisagens. Afinal, tudo é tão corrido. Ai de mim se não der conta de tudo!!!

Mas, pera ai… Que tal aprender com as crianças?

O que se pode aprender com elas? Vamos lá…

As crianças possuem um excelente potencial criativo. Como estão se inserindo no mundo, o impulso de conhecê-lo e experimentá-lo se reflete em seus atos e atitudes. Quantas vezes olhamos para uma criança e pensamos: “Eita garoto danado! Tudo que vê quer mexer.”? Isso é natural das crianças. A exploração direta do ambiente ao seu redor é o que torna as crianças excelentes aprendizes. Além disso, possuem uma imaginação solta, o que permite que cada brincadeira seja única, cheia de detalhes, riquezas de ações e criatividade.

Ok, talvez você pense que já tenha passado da idade…

Mas quem disse que você precisa perder sua inventividade, desejo de exploração, criatividade, abertura para o novo, desejo por novas aventuras só porque aumentou de idade?

Fatalmente somos vítima (e fazemos o mesmo com nossos filhos) da formatação dos pensamentos e sentimentos que a socialização enseja. Conforme crescemos, aprendemos o que “deve” e o que “não deve” ser feito. Aprendemos a nos comportar. Ficar quietos. Não abrir a boca. Não dar ideias quando não solicitado. A fazer o que é mandado, quando mandado.

Aprendemos ainda que não podemos rir alto, brincar muito. Devemos ser sérios. Focados. Profissionais. Não devemos dar vazão à nossas emoções e precisamos ser racionais, sempre. Aprendemos que chorar é feio, ainda mais para um homem (como se homem não precisasse chorar) e que fogão é coisa de menina (e por isso muitos homens não tem intimidade nenhuma com a cozinha).

Aprendemos que devemos ser um exemplo.

Portanto:”Não ria. Não chore. Não grite. Não eleve a voz. Não brinque.

E se divertir, pode? Pode. Mas dentro do padrão. Sem excessos. Se não, o que vão pensar de você?

Estas são restrições introjetadas que formatam e limitam a capacidade criativa de qualquer ser humano. Não serei leviano em negar a importância da socialização, mas devemos ter em mente que a sociedade atual caminha num ritmo acelerado. Ritmo este que nos dá a impressão de que seremos engolidos pelo tempo caso paremos por 5 min.

O cotidiano está cada vez mais entrando no automático. Estamos perdendo a capacidade de olhar para nós mesmos. Negamos o que sentimos em função do “bom andamento do serviço”. Dor de cabeça? Resfriado? Pressão alta? Ansiedade? Desgaste físico? Desgaste mental? Para tudo isso tem remédio né? Então tomemos o remédio e continuamos. O show não pode parar!

Quanta bobagem!!!!!!

Pare! Respire! Respeite seus limites! Divirta-se genuinamente! Permita-se encantar por algo novo!

Seja focado, respeitado, profissional, competente. Mas não deixe que isso abafe sua capacidade de se encantar, de se emocionar. Não se deixe perder em meio a toda essa correria. Resgate sua criatividade, sua inventividade, sua capacidade de rir de algo simples, de se divertir com algo mais simples ainda, de aproveitar a natureza, de sonhar.

Resgate sua criança interior!

Entenda que, independente da sua idade, você tem o direito de se divertir, rir de bobagens, sujar a mão de tinta para brincar, sentar com uma criança e viajar em sua imaginação. Você tem todo o direito de brincar de escorrega, relembrar brincadeiras antigas. Tem o direito de dar aquela gargalhada gostosa! Tem o direito de se divertir vendo desenho. Pera ai…ver desenho? Sim, por que não?

Você tem o direito de sonhar e ter o mesmo brilho no olhar que as crianças carregam.

E como se faz isso?

Sinta-se a vontade para (se) descobrir.

Até a próxima.

Bruno Rodrigues
Psicólogo Clínico e Terapeuta de Casais
CRP 05/47828

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