Artífice é um artesão, especialista no ofício de construir algo único, pelas suas próprias mãos. Geralmente, este termo está associado como construtor de armas e munições. É um termo comum nas forças armadas. Porém aqui, falo de um ofício diferente.
Falo da construção do seu próprio ser.
Da construção das suas próprias habilidades.
Qual a diferença entre um artífice de armas e um comprador de armas?
Basicamente a forma como adquirem suas armas.
O artífice forja, fabrica.
O comprador adquire, pagando por ela.
E o que isso tem a ver com o tema “desenvolvimento de habilidades”?
Tudo. Absolutamente tudo.
Podemos entender competências como características e habilidades que lhe permitem determinado tipo de desempenho frente a variadas situações. Ou seja, competência é toda a habilidade ou traço da sua personalidade que pode ser utilizado para exercer poder no meio e transformá-lo positivamente. Em geral, usamos muito esse termo no meio da Gestão de Recursos Humanos e Administração de Pessoal. Neste caso, competência está ligada a características que podem ser usadas em prol da empresa no sentido de promover seu crescimento.
Voltemos ao artífice. Quando somos artífice de nossas armas (ou seja, competências), buscamos desenvolver e descobrir nossas próprias habilidades. Vamos atrás daquilo em que somos bons. O artífice constrói e forja em si mesmo suas melhores armas. E este é um processo difícil. Exige esforço, investimento, autoconhecimento e muitas vezes recomeços. Não é fácil. Mas quando se conclui essa jornada, se tem armas poderosas as quais você tem segurança e domínio para usar.
Já o comprador de armas é aquele que visa adquirir competências que outros desenvolveram. Ou seja, ele não busca criar suas próprias armas, mas ter as armas que outros construíram. Em outras palavras, este tipo de pessoa vive em busca de ter o perfil que outras pessoas tem, de ser igual a outros, de desenvolver habilidades que as outras pessoas tem. Ele esquece-se de algo muito mais importante: “Pensar em quais são suas próprias armas.”
Isso não quer dizer que você não vá adquirir. Pode ser que consiga a habilidade que deseja, mas nunca se sentirá seguro em usar, pois você não a desenvolveu, você a “comprou” (em outras palavras, você apenas está copiando um comportamento e não agindo conforme suas competências)
Sendo assim, qual é o seu perfil?
Você é um artífice de suas próprias competências?
Ou vive tentando ser o que os outros são?
Esqueça os outros.
Descubra o que você tem de melhor. Seja excelente nisso!
Fabrique (ou seja, descubra) e use suas armas!
Como fazer isso? Vou dar algumas dicas:
1 – Faça uma lista de coisas que gosta de fazer:
Faça uma lista das coisas que gosta de fazer e sente prazer fazendo. Qualquer coisa. Pense quais habilidades você precisa (sejam manuais, cognitivas, emocionais) para desenvolver tal prática. Dou como exemplo, um cliente que gostava muito de um determinado jogo online e era bom nisso.
Porém, era muito melhor estrategista do que jogador. Aos olhos de muitos, isso pode parecer inútil. Porém escondida nessa “ociosidade” estava o foco, analise estratégica, antecipação de resultados, coordenação de equipe, analise de potenciais, desejo de resultados.
Agora me diga? Qual profissional não precisa disso?
Existem muitos talentos escondidos em “habilidades inúteis”. Descubra as suas.
2 – Dê início a novas atividades:
Tenho certeza que você tem uma lista de cursos e atividades que deseja fazer e de habilidades que deseja aprender. Seja tocar violão, artesanato, confeitaria, design de games, dirigir, fazer trilha, aprender outra língua. Tudo isso são competências e habilidades que podem ser desenvolvidas. Se você procurar, certamente achará muitas delas de graça ou por um preço acessível. O que está esperando para fazer? Falta de tempo? Então leia o próximo item.
3 – Invista tempo:
Está ai a desculpa de muitas pessoas. Falta de tempo. Tenho certeza que gasta ao menos 30 minutos por dia acessando suas redes sociais (e tenho certeza de que estou sendo bem benevolente). Agora pense comigo: Um mês tem 30 dias, cada dia você gasta 30 min e em um mês você tem 15 horas ociosas.
O que você pode aprender e fazer em 15 horas/mês?
4 – Se arrisque:
O medo em arriscar-se em uma nova atividade é um dos principais bloqueios que enfrentamos. Muitas das vezes ficamos com medo da avaliação do outro. Tememos não sermos bem recebidos. Afinal, temos a necessidade de aceitação (concorde você ou não).
Para você que tem medo, deixo a seguinte frase:
“Como quer ser notado, se não se mostra?”
Ninguém pode descobrir e se beneficiar de seus talentos, habilidades se você não as mostrar ao mundo. As críticas devem ser usadas para alicerçar nosso avanço. Se fizer isso, irá longe.
“Não é digno do mel, aquele que não se aproxima com medo da picada das abelhas”
(William Sheakspeare)
Até a próxima.
Bruno Rodrigues
Psicólogo, Terapeuta de Casais e Orientador Vocacional
CRP 05/47828
